O processo de investigação – 2ª fase

Nesta 2ª fase do Tema 1, foi sugerida a análise da Dissertação de Mestrado de Ana Paula Alves, “E-Portefólio – um estudo de caso”.

Neste estudo, a investigadora estabeleceu como objectivo “analisar a viabilidade e a adequação da implementação de portefólios de Matemática, suportado pela tecnologia Moodle, a turmas de alunos do ensino básico”.

A investigadora definiu três questões principais de pesquisa:

“1. Como é que se pode organizar e implementar um programa de e-portefólios no contexto da disciplina de Matemática?

2. Como se desenvolverá a participação e o envolvimento dos alunos na construção do respectivo e-portefólio?

3. Que vantagens/desvantagens poderão estar associadas à selecção do ambiente Moodle na aplicação do programa de e-portefólios no contexto da disciplina?” (p.30)

e os objectivos principais de investigação:

“Organizar e implementar um programa de portefólios electrónicos numa turma de alunos do ensino básico, no contexto da disciplina de Matemática;
Analisar a participação e o envolvimento dos alunos na construção dos respectivos eportefólios;
Perceber as vantagens/desvantagens do ambiente Moodle na aplicação de um programa de e-portefólios no contexto da disciplina de Matemática” (p.30)

A investigadora expõe na sua dissertação dois paradigmas de investigação – positivista e interpretativo, os quais se diferenciam ao nível ontológico, epistemológico e metodológico . (p.103) Refere ainda que “a adopção de um determinado paradigma de investigação deve guiar o investigador sobre três níveis: a matéria a investigar; a relação existente entre investigador e investigado; e os métodos a usar na investigação.” (p.103)

Paradigma positivista:

  • generalizações teóricas, aplicadas universalmente (leis)
  • a teoria guia o investigador que observa a realidade e formula hipóteses
  • variáveis de índole quantitativa são testadas estatisticamente ou laboratorialmente

Paradigma interpretativo:

  • qualitativo
  • hermenêutica
  • naturalista
  • construtivista
  • objectivo: compreender a realidade circundante na sua especificidade; querer saber o porquê e os significados dos fenómenos
  • segue uma lógica indutiva: a teoria surge à posteriori dos factos
  • o investigador observa e procura interpretar a realidade e vai elaborando categorias que, com mais informações, irão transformar-se em constructos teóricos que irão formar a realidade
  • existe interacção entre investigador e investigado, num processo de dupla hermenêutica, na medida em que cada um interpreta e é interprete, produzindo-se conhecimento. (p.103)

“O método não determina o paradigma que sustente a investigação (Gomes, 2004: 180), podendo o investigador recorrer a métodos de carácter quantitativo e qualitativo. (p.105) – Abordagem mista

No caso dos fenómenos sociais, como é o caso da educação, os métodos de índole qualitativa são os mais indicados e são bastante diversificados. A investigadora do presente estudo optou por uma investigação empírica do tipo “estudo de caso“, método que, segundo Yin, permite estudar um fenómeno contemporâneo dentro do seu contexto de vida real. (p.105)

Sobre esta metodologia aconselho a consulta deste trabalho realizado no âmbito do Mestrado em Educação na Área de Especialização em Tecnologia Educativa, da Unidade Curricular de Métodos de Investigação em Educação, na Universidade do Minho; e a obra de Robert K. Yin, Estudo de caso: planejamento e métodos.

Os estudos de caso podem ser exploratórios, descritivos e explanatórios. O presente estudo inicide sobre a tipologia de caso único de características descritivas e exploratórias.

Nos estudos de caso a unidade de análise deve ser definida, ou seja, o “caso” em estudo tem de ser definido. (p.109)

Em caso de estudos de caso, o recurso a múltiplas fontes de dados e instrumentos é o mais frequente: documentação, entrevistas, observação participante, entre outros, o que sucedeu no presente estudo. (p.112)

A investigadora procedeu à calendarização da recolha de dados segundo a técnica utilizada, a qual foi realizada em simultâneo com a análise de dados. (p.115)

Sem dúvida, um documento de apoio ao percurso a desenvolver nesta U.C. e o qual creio que me será útil posteriormente dada a proximidade com o paradigma, metodologia, técnicas e instrumentos abordados neste estudo.

Anúncios

O processo de investigação – 1ª fase – 2ª parte

No documento elaborado pela professora Alda Pereira intitulado de “O processo de investigação”, são clarificados alguns conceitos fundamentais:

Paradigma – “quadro geral que determina a teoria e a investigação e que inclui as assunções principais, os modelos de investigação e os métodos” (Neuman, 2006)

São vários os paradigmas que orientam os processos de investigação. O que os distingue?

  • objectivo da investigação
  • natureza da realidade social
  • visão sobre o homem
  • visão sobre o senso comum
  • natureza da teoria e da explicação
  • perspectiva sobre os valores

Neste documento são identificados três paradigmas, os quais apresentam diferentes perspectivas sobre a investigação:

Positivista/Normativo – a investigação é impessoal e objectiva, realizada do exterior, aspira à generalização e recorre a métodos quantitativos.

Interpretativo – a investigação é subjectiva, o investigador envolve-se com o objecto de estudo (individuo), recorre a métodos qualitativos.

Crítico – o investigador surge como participante, o qual investiga a sociedade, os grupos e os indivíduos, está orientado para a acção.

Sem dúvida que estas clarificações iniciais são fundamentais para o percurso a decorrer nesta U.C.

O processo de investigação – 1ª fase – 1ª parte

Na presente Unidade Curricular, o Tema 1 intitula-se de “O processo de investigação”. Decorrerá em quatro fases e neste post irei debruçar-me sobre a 1ª fase.

O seguinte vídeo foi diponibilizado pelo professor António Moreira, o qual aborda o significado da “investigação científica”:

Neste vídeo a pesquisa científica é definida como “a busca intencionada de conhecimento ou de soluções para problemas de carácter científico”, tendo sido caracterizada como “um processo sistemático, organizado e objectivo”, que tem de ter por base uma metodologia que servirá de guia no processo de investigação.

Foram também disponibilizados pelo professor António Moreira os seguintes vídeos:

Algumas ideias-chave sobre o que é a investigação se podem retirar destes dois vídeos:

– “… a pesquisa tem como intenção desvendar o mundo…”

– “… a pesquisa é um trabalho de redescoberta…”

Logo no primeiro vídeo, duas modalidades de pesquisa (investigação) são identificadas: qualitativa e quantitativa, sendo que a primeira se aproxima do indivíduo, da realidade social e a segunda dos dados em bruto, por vezes sem conexão com a realidade.

A estes dois vídeos acrescentei um terceiro:

São identificados neste vídeo diferentes métodos e técnicas de pesquisa/investigação:

– pesquisa bibliográfica – interpretação de texto

– pesquisa documental – análise de conteúdo

– pesquisa-acção – planejamento participativo

– pesquisa de campo – observação e entrevista

 

Investigar em Comunicação Educacional Multimédia

No âmbito da Unidade Curricular Metodologias de Investigação em Educação, inserida no Mestrado em Comunicação Educacional Multimédia, apresento o meu E-Portefólio onde irei analisar, dialogar e reflectir sobre os vários conteúdos programáticos propostos: processo de investigação, recolha e análise de dados, e problemáticas de investigação em Comunicação Educacional. No presente E-Portefólio pretende-se a partilha de ideias, saberes, opiniões, experiências, assim como a interacção e cooperação durante este percurso de trabalho e aprendizagem colaborativo.