Como organizar um relatório de investigação

Para iniciar a organização de um relatório de investigação, deve-se ter conhecimento das normas formais de apresentação de trabalhos científicos escritos, por exemplo da American Psychological Association (APA, 2005).

Abaixo apresento um esboço de uma possível organização de um relatório de investigação.

organização relatório investigação

Num relatório de investigação a citação de fontes usadas numa investigação tem um carácter obrigatório e é de uma importância fulcral. As citações ocorrem no texto e na lista final das respetivas referências bibliográficas.

Também na citação de fontes se pode recorrer ao estilo APA (American Psychological Association).
Existem ainda outros estilos definidos internacionalmente para a realização de citações e referências bibliográficas em trabalhos académicos ou científicos, de acordo com a área científica.
Abaixo darei exemplos segundo a norma APA 5ª Edição.
Exemplos para citações no texto:

Para   um único autor

Vários   autores

Em todas   as citações posteriores por parágrafo

(Matthews, 1999) (Lawson & Green,     1997) (Freire, et al., 2008)

Referência Bibliográfica:

Livro Author. (Year). Title.   City: Publisher.

Matthews, J. (1999). The art of childhood and   adolescence: The construction of meaning. London, England: Falmer   Press.

Artigo científico impresso Author. (Year). Title.   [Type of Article]. Journal, Volume(Issue), Pages.

Kyratsis, A. (2004). Talk   and interaction among children and the co-construction of peer groups and   peer culture. Annual Review of Anthropology, 33(4), 231-247.

Artigo científico   electrónico Author. (Year). Title.   Periodical Title, Volume(Issue), Pages. Retrieved from URL.

Colvin, G. (2008).   Information worth billions. Fortune, 158 (2), 73-79. Retrieved from   http://search.ebscohost.com/

Site Author.   (Year, Last Update Date). Title. Series Title. Retrieved Date, from URL.

National Renewable Energy   Laboratory. (2008). Biofuels. Retrieved May 6, 2008, from   http://www.nrel.gov/learning/re_biofuels.html.

  • Quando a obra tiver mais de um autor utilizar “&”.
  • Para indicação de páginas nos artigos de publicações periódicas, utilizar p. ou pp.
  • A lista de referências bibliográficas é organizada alfabeticamente pelo último nome do autor. Nos casos em que não há autor, as referências são colocadas alfabeticamente pelo título na mesma lista.
  • Não utilizar os prefixos vol. e nº especialmente em revistas. Estas abreviaturas são apenas usadas em enciclopédias ou capítulos de livros, como se pode verificar nos exemplos abaixo:

Capítulo   de um livro

Labajo, J. (2003). Body and   voice: The construction of gender in flamenco. In T. Magrini (Ed.), Music and   gender: perspectives from the Mediterranean (pp. 67-86). Chicago: University   of Chicago Press.

Enciclopédia

Sadie, S., & Tyrrell, J.   (Eds.). (2002). The new Grove dictionary of music and musicians (2nd ed.,Vols. 1-29). New York: Grove

Fontes:

Bibliotecas da UA. (2010). Manual estilo APA: Referências bibliográficas, normas e estilos. Universidade de Aveiro. Disponível em http://www.ua.pt/sbidm/biblioteca/ReadObject.aspx?obj=15968
Bibliotecas da UA. (—-). Referências biliográficas – normas e estilos. Universidade de Aveito. Disponível em http://www.ua.pt/sbidm/biblioteca/PageImage.aspx?id=12064
Eco, Umberto (1998). Como se faz uma tese em Ciências Humanas. Lisboa, Portugal: Editorial Presença.

Etapas de uma investigação científica

Em trabalho colaborativo com Cátia Carminé e Fábia Moreira elaboramos o seguinte fluxograma de um processo de investigação:

fluxograma_

Apesar das diferenças existentes nos fluxogramas apresentados pelos outros dois grupos, estes não se diferenciam assim tanto entre si, pois o mesmo fio condutor orientado pelo paradigma e pela metodologia cientifica escolhido pelo investigador está presente em todos eles.

De salientar o debate na sala de aula virtual em torno do senso comum e da viragem da literatura e dos autores no que diz respeito ao reconhecimento da mais-valia que este conhecimento pode trazer para a investigação. Como referiu o professor José Moreira, o senso comum é o saber em ação, o qual é igualmente importante para a construção do conhecimento. Contudo, sem se acompanhar de outros tipos de saberes, o conhecimento cientifico produzido pode não ser reconhecido.

De seguida apresentarei uma proposta de fluxograma do processo de investigação científica, tendo por base o contributo de todos os colegas na sala de aula virtual e as leituras que efetuei sobre as etapas de uma investigação cientifica.

etapas

Fontes:

Morgado, J. C. (2012). O Estudo de Caso na Investigação em Educação. Santo Tirso, Portugal: Defacto.

Quivy, R. e Campenhoudt L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa, Portugal: Gradiva.

Estudo de caso em investigação

O estudo de caso, segundo Becker (2012, p.55), é um “modelo artesanal de ciência… no qual o investigador atua como artesão intelectual, uma vez que adequa e personaliza os instrumentos de acordo com o seu objeto especifico de investigação”. Esta característica tornou este método de investigação muito popular na área das Ciências Sociais, sendo introduzido na área da educação em 1975, na Conferência Internacional realizada em Cambridge.

No estudo de  caso o investigador recorre a várias técnicas de recolha de dados e envolve-se pessoalmente na investigação de forma a representar o mundo tal como ele é na realidade, como é sentido, percecionado, vivido, experimentado, compreendido pelos atores reais. Neste sentido, segundo McKernan (2012, p.59) “o estudo de caso é um estudo fenomenológico em que se tenta representar o mundo tal como os participantes e o investigador o experimentam”. Já Ludke e André (2012, p.62)  destacam que a variedade de fontes de informação “para além de enriquecer o estudo, permite cruzar informações, confirmar ou enjeitar hipóteses, descobrir novos dados, afastar meras suposições e formular hipóteses alternativas”.

Para Stake (2012, p.57) o estudo de caso é “uma forma particular de estudo: gera um conhecimento mais concreto e mais contextualizado, privilegiando a profundidade em detrimento da sua abrangência”. Defende ainda o mesmo autor que, porque investiga em profundidade, permite estudar particularidades, as quais devem ser tão numerosas e pormenorizadas quanto possível de forma a poder captar os aspetos comuns que possam existir entre diferentes casos em estudo. Nesta linha de pensamento, Lessard-Hébert et al. (2012, p.56-57) definem o estudo de caso como “uma estratégia investigativa através da qual se procura analisar, descrever e compreender determinados casos particulares (de indivíduos, grupos ou situações), podendo posteriormente encetar comparações com outros e formular determinadas generalizações”.

Stake (2012, p.59-60) atribui as seguintes características ao estudo de caso:

– é um estudo holístico (tem em conta a globalidade do contexto e do objeto),

– é um estudo empírico (recorre a variadas técnicas de recolha de dados, de preferência evitando alterações no objeto/contexto observado),

– é um trabalho interpretativo (com base na intuição, o investigador sustenta a sua interação com o sujeito e, consequentemente, o rumo da investigação),

– é um trabalho empático (apesar de previamente delineado, o trabalho de investigação vai-se adaptando à realidade que estuda).

Eisner (2012, p.60-61) acrescenta mais algumas características aos estudos de caso, nomeadamente:

– que tendem a ser focalizados,

– que utilizam o “eu”(investigador) como instrumento, o qual incorpora a situação, explora-a e dá-lhe sentido,

– que têm um carácter interpretativo, ou seja, pretendem a compreensão dos significados,

– que utilizam uma linguagem expressiva,

– que evitam métodos e técnicas de cariz quantitativo,

– que a sua credibilidade se fundamenta na sua coerência, intuição e utilidade instrumental.

O estudo de caso pode ser utilizado quer em estudos de cariz quantitativo, quer qualitativo, contudo é nestes últimos que com mais frequência são utilizados, sendo estruturados numa vertente interpretativa e compreensiva, comportando as seguintes dimensões (Morgado, 2012, p.62-63):

– descritiva – uma parte significativa do processo de investigação assenta na recolha e descrição de aspetos descritivos do contexto em que ocorre o estudo,

– exploratória – a estratégia metodológica é flexível e aberta, adaptando-se às necessidades de familiarização com o objeto e o contexto de forma a atingir os objetivos,

– interpretativa – o investigador procura interpretar e compreender o objeto e o contexto em estudo.

Resumindo: no estudo de caso o investigador é a peça-chave no processo de investigação porque apesar de não ter o controlo de todas as variáveis, tenta apreender a situação na sua totalidade para conseguir descrever, compreender e interpretar a complexidade do caso em estudo, produzindo novos conhecimentos para a problemática em causa. Como diz Stake (2012, p. 59), “o investigador não descobre, mas antes constrói o conhecimento”. Contudo, esta proximidade do investigador com o objeto e o contexto pode desvirtuar e enviesar todo o processo de investigação, por isso, é fundamental que todo o novo conhecimento alcançado seja confrontado com casos e problemáticas semelhantes anteriormente estudadas. No mesmo sentido, o investigador não deve perder nunca a sua linha metodológica orientadora, apesar de dever manter a sua liberdade no ajustamento dos métodos e técnicas de recolha, tratamento e análise dos dados que considerar mais pertinentes aos objetivos da investigação. Apesar deste senão, o estudo de caso ao possibilitar o recurso a diferentes métodos e técnicas de investigação, promove a imaginação e a criatividade do investigador, prevalecendo a reinvenção do processo de investigação e, consequentemente, o enriquecimento do conhecimento obtido.

Fonte:

Morgado, J. C. (2012). O Estudo de Caso na Investigação em Educação. Santo Tirso, Portugal: De Facto Editores.