Métodos quantitativos de recolha de dados – Parte I

Em Investigação e Métodos Quantitativos, de Alda Pereira, a mesma identifica as seguintes características nos métodos de recolha de dados de carácter quantitativo:

– associam-se ao paradigma positivista, o qual perceciona o mundo como sendo composto de factos observáveis e mensuráveis e de uma forma dedutiva procura encontrar relações de causa-efeito, não contaminadas pelo contexto;

– o investigador assume uma neutralidade objetiva, pois sendo exterior ao objeto/situação em estudo, não assume assunções pessoais, evitando enviesamentos;

– as hipóteses devem ser testáveis e ter uma natureza probabilística, as quais podem assumir-se como conceptuais (estabelecem uma relação entre variáveis), operativas (indicam as operações necessárias para a sua observação ou estatísticas (expressam a relação esperada em termos quantitativos);

– as variáveis, como fatores ou efeitos que intervêm num fenómeno em estudo, podem ser mensuráveis através de escalas, sendo classificadas em quantitativas (são expressas em valores numéricos reportados a uma unidade de medida ou de ordem) e qualitativas (expressam atributos ou categorias do sujeito ou da situação e podem ser dicotómicas ou politómicas)

– os resultados obtidos são generalizáveis a outros contextos, sendo utilizados instrumentos de recolha, nomeadamente questionários, testes, entrevistas e análise documental, que assegurem a replicabilidade dos estudos e a validade das conclusões;

– a amostragem apresenta-se como um fator decisivo na investigação quantitativa, pois dela depende a representatividade da população em estudo, podendo ser de natureza probabilística (a seleção dos sujeitos é aleatória e a representatividade é, à partida, elevada) ou não probabilística (a seleção dos sujeitos não é aleatória e tem uma baixa representatividade da população);

– a validade prende-se com o grau de certeza com que se fazem as inferências a partir dos resultados em estudo.

A investigação quantitativa recorre aos seguintes métodos:

– investigação experimental: manipulação de condições e posterior verificação do efeito causado por essa alteração,

– estudos quase experimentais: amostras não aleatórias,

– investigação correlacional: estudo de relações entre variáveis,

– investigação ex-post facto: investigação relações de causa-efeito,

investigação por inquérito: permite uma investigação descritiva ou uma investigação explicativa, recorre às técnicas do questionário e da entrevista estruturada, exige a definição rigorosa da amostra e o controlo da investigação.

Debruçando-me em particular sobre o inquérito recorro à apresentação do Grupo Metódicos com o título Métodos de Recolha de Dados (em Investigação Educacional).

Na elaboração do questionário, o investigador, respeitando três princípios – Neutralidade (libertar o inquirido do referencial de juízos de valor ou do preconceito do próprio autor), Coerência (respostas coerentes com intenção da própria pergunta), e Clareza (questões claras, concisas e unívocas) – deve seguir as seguintes etapas:

– na 1ª etapa deve-se delimitar a informação pertinente a escolher de acordo com os objetivos e a finalidade a que se destina, devem-se constituir as categorias e precisar os temas e a sua dimensão, deve-se adequar a extensão do questionário ao público alvo, sendo que o seu preenchimento não deve ultrapassar 45 minutos, sob pena de os inquiridos dispersarem a sua atenção e concentração;

– na 2ª etapa devem-se formular as questões, escolhendo qual o tipo de questões a ser aplicada(escolha fixa, de resposta livre, de facto ou de opinião, diretas ou indiretas (associativas ou projetivas) podendo ser misto); têm de ser curtas, claras e compreendidas pelos inquiridos, por isso, o vocabulário usado deve ser do conhecimento do inquirido e dominado pelo mesmo;

– na 3ª etapa as questões são sequenciadas, agrupadas e formatadas (quanto à estrutura e à forma), tendo em consideração que a ordem das questões pode ter influência no maior ou menor interesse de quem responde;

– na 4ª etapa, o esboço do questionário deve ser submetido a uma apreciação crítica e ser revisto;

– na 5ª etapa, finalizando o que se iniciou na etapa anterior, deve-se efetuar um pré-teste para testar a eficácia e a pertinência do questionário junto de uma amostra representativa da população em que vai ser aplicado o questionário;

– na 6ª etapa procede-se à redação da introdução e das instruções de preenchimento.

Cumpridas estas etapas, o questionário pode ser aplicado.

Como qualquer outro método, o inquérito apresenta vantagens e desvantagens, das quais destaco:

vantagens: anonimato das respostas, relação impessoal com o inquirido, quantificação dos dados.

desvantagens: a percentagem de questionários totalmente e bem preenchidos é reduzida, o indivíduo é uma unidade estatística (perda das relações sociais), a amostra pode não ser representativa da população em estudo.

Fontes:

Morgado, J. C. (2012). O Estudo de Caso na Investigação em Educação. Santo Tirso, Portugal: Defacto.

Quivy, R. e Campenhoudt L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa, Portugal: Gradiva.

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