A escolha das técnicas e instrumentos de recolha de dados é crucial para a qualidade e o êxito da investigação, por um lado. O investigador é o outro elemento chave na investigação, segundo Erickson (2012, p.71), nomeadamente o seu conhecimento, a sua capacidade e a sua experiência no processo de recolha de dados.
Neste post, irei debruçar-me sobre a entrevista que Bisquerra (2012, p.72) define como sendo “uma conversação entre duas pessoas, iniciada pelo entrevistador, com o propósito específico de obter informação relevante para uma investigação.”
Segundo Bogdan & Biklen (2012, p.73), as entrevistas diferenciam-se de acordo com o seu grau de estruturação:
Entrevistas estruturadas
– seguem integralmente um roteiro estabelecido,
– o investigador é um mero compilador de dados,
– o investigador tem a responsabilidade de criar um ambiente que promova as respostas do entrevistado.
Entrevistas não estruturadas
– o processo de recolha é muito mais dinâmico, flexível e aberto, não estandardizado,
– o investigador leva o entrevistado a falar sobre uma área de interesse e, ao longo da conversação, vai explorando com mais profundidade e, sempre que necessário, norteia o entrevistado para a temática em discussão.
Entrevistas semiestruturadas
– a existência de um documento de “perguntas-guia”, carateriza este tipo de entrevista que se situa entre as entrevistas estruturas e as entrevistas não estruturadas,
– o investigador cria condições para que o entrevistado fale abertamente, contudo sempre que este se desvia da temática a ser abordada, o investigador redireciona, de forma natural, a entrevista para que os seus objetivos sejam alcançados.
As entrevistas também podem variar, segundo o número de sujeitos entrevistados, nomeadamente se a entrevista ocorre individualmente ou em grupo, sendo que nesta última, o objetivo é a discussão de uma temática/problemática por um grupo de pessoas em simultâneo.
Relativamente aos temas em análise, identificam-se os seguintes tipos de entrevistas:
– Entrevista de Controlo (por exemplo, entrevistas pós-experimentais que verificam a verossimilhança da situação experimental; apesar da entrevista aplicada ser do tipo estruturada, não é o instrumento de recolha de dados principal),
– Entrevista de Verificação (da evolução de um determinado domínio da investigação, podendo ser realizadas entrevistas do tipo estruturadas ou semiestruturadas),
– Entrevista de Aprofundamento (de temas que não considerados suficientemente explicados/explorados, através das entrevistas semiestruturadas ou não estruturadas),
– Entrevista de Exploração (de um domínio que o investigador não conhece/domina; aplicação na entrevista não estruturada).
O guião numa entrevista apresenta-se como o fio condutor da mesma, por isso, deve-se ter em consideração alguns pontos fundamentais na sua elaboração:
– elaborar perguntas de acordo com os objetivos da investigação, a amostra e o perfil do entrevistado, e o meio de comunicação utilizado na realização da entrevista,
– considerar as expectativas do entrevistador,
– evitar influenciar as respostas,
– apontar alternativas para eventuais fugas à(s) pergunta(s),
– estabelecer o número de perguntas e proceder à sua ordenação, dentro de cada dimensão,
– utilizar um vocabulário claro, acessível e rigoroso.
Na construção das questões, deve-se ter em consideração os seguintes pontos:
– adequação aos objetivos da investigação,
– adequação das perguntas aos entrevistados (claras, acessíveis, rigorosas),
– recurso a questões abertas e fechadas,
– adequação do número total de questões,
– adaptação da sequência das perguntas,
– se adequado, anotação de palavras-chave para as respostas
O guião de entrevista deve apresentar uma boa apresentação gráfica, nomeadamente:
– redação do cabeçalho com identificação,
– incluir uma apresentação sucinta da entrevista, incluindo os objetivos,
– formatação cuidada do documento.
O espaço físico e o espaço temporal também são pontos a ter em conta na elaboração do guião da entrevista.
Depois de elaborado, o guião de entrevista deve ser analisado e criticado por especialistas e/ou entrevistados-teste, de forma a, posteriormente, se proceder à validação do respetivo guião.
Fontes:
Morgado, J. C. (2012). O Estudo de Caso na Investigação em Educação. Santo Tirso, Portugal: Defacto.
Quivy, R. e Campenhoudt L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa, Portugal: Gradiva.